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30.9.03

As cidades e os automóveis 


EngarrafamentoEngarrafamentoO automóvel, símbolo de um status, de um avanço social. País atrasado durante o século vinte, Portugal, apenas viu o automóvel democratizar-se nos últimos vinte e cinco anos. Gente cujos pais e avós não podiam ter um carro mostra hoje com prazer o seu símbolo de aburguesamento. Acho bem que se tenha um automóvel, em certas situações é confortável, ou conveniente, nada a obstar.

O que é estranho é o mundo do automóvel, hoje, em Lisboa e noutras cidades. Exemplos: linha de Sintra e de Cascais, ponte 25 de Abril, ou Salazar como alguns ainda chamam, sobre o rio Tejo.Engarrafamento
Transportes excelentes, bem conjugados, objectivamente, com o metropolitano, ecológicos, cada vez mais rápidos e confortáveis e cada vez mais carros em Lisboa. Hoje um exemplo: tempo de chuva fraca, temperatura agradável e engarrafamentos monumentais... Automóveis por todo o lado. Bichas intermináveis, desespero, acidentes, stress. Tudo previsível.
Factores acessórios: fim do mês, dinheiro na carteira, gasolina nos depósitos.

EngarrafamentoEu uso o metropolitano de Lisboa, sobretudo nos dias assim, e que encontro? Carruagens com lugares sentados, mesmo à hora de ponta, sobretudo aos dias de chuva conjugados com o fim do mês. Interrogo-me: serão os meus concidadãos masoquistas? O que leva a um habitante de Massamá, ou do Seixal, ou do Estoril, a meter-se num carro, sabendo o que vai encontrar, perdendo horas da sua vida, quando pode apanhar um comboio que o coloca no emprego de forma célere e confortável? Penso que a resposta é apenas uma questão de status, de afirmação. Não será em todos os casos mas na maioria.
EngarrafamentoQue direito têm estes automobilistas impenitentes a usar a sua carripana, a poluir o ar de todos, a atravancar as ruas, a encher os passeios, a lutar dia-a-dia com os fiscais da câmara, tentando fugir a bloqueadores e a multas? Usando estratagemas para colocar os carros em cima de passeios, em lugares escondidos, correndo quando se lembram que o fiscal pode vir aí, calculando horários de passagens dos rapazes de verde? Exercícios interessantes de especulação metafísica e de diminuição da produtividade. Que direito têm os habitantes dos concelhos limitrofes de Lisboa de usar como se fosse um direito inalienável, das ruas de uma cidade em que a Câmara gasta o seu orçamento a satisfazer os caprichos de masoquistas egoístas, quando existem pessoas com carências que poderiam beneficiar desses dinheiros para melhorar as suas condições de vida. E falo de quem usa o carro individualmente. Pessoas que trazem as viaturas para o coração de uma cidade que não é a sua, geralmente sós mais o seu rádio.
EngarrafamentoQuerem o melhor de dois mundos, pagar casas baratas fora da cidade, ou viver em condomínios de qualidade superior a custos mais baixos e usar automóvel para poluir e degradar uma cidade de todos. Gastando pelo caminho muito mais dinheiro...

Creio que a solução para este problema será colocar portagens muito elevadas à entrada de Lisboa, como se faz em Londres, com sucesso. E obrigar estes automobilistas a pagar o desgaste nas ruas e os lugares de parqueamento os quais usam e abusam. Os vícios devem pagar-se. A ostentação de um status deve ser acompanhada da respectiva fidúcia. "Quem não tem dinheiro não tem vícios". O dinheiro colectado seria investido em ainda melhores comboios, e na melhoria das condições de circulação de autocarros e de eléctricos, quebrando-se este ciclo vicioso que leva ao stress e à poluição.

EngarrafamentoRecorro a exemplos como Nova Iorque ou Londres, nos países nórdicos a moderação é obtida pela taxa de circulação e pelo preço da gasolina. Acho engraçado em Helsínquia, mesmo no pino do Inverno, toda a gente usa os transporte públicos e mesmo as bicicletas! Medidas deste são moderadoras e utilizadas em países em que o problema se pôs e cujo índice de desenvolvimento humano (dados da ONU) é muito superior ao nosso.
Fica o desabafo, ficam as perguntas.

CM


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