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15.8.03

Domenico Scarlatti 

Domenico Scarlatti nasceu em Nápoles nesse ano impressionante de 1685 (tinha escrito 1785, erro de palmatória, obrigado a modus vivendi que me avisou da enormidade do lapso!), em que também viram a luz Bach e Haendel, faleceu em 1757.
Filho de peixe sabe nadar, Domenico era filho do grande Alexandro, afamado compositor italiano de ópera.
O pai foi o seu professor, Domenico escreve três óperas ainda jovem, sob influência do progenitor
Conhece Haendel em Veneza onde se torna seu amigo. É desta fase o célebre concurso com o alemão, em que Scarlatti vence no cravo e Haendel no orgão!
Em 1714 liga-se a Portugal, é mestre de capela do embaixador português em Roma, em 1719 torna-se mestre de capela em Lisboa e mestre de cravo da princesa Maria Bárbara. Em 1729 vai com a princesa para Madrid, após o casamento desta com o infante de Espanha.
São-lhe atribuídas 555 sonatas para teclado, 30 são publicadas em vida como exercícios para cravo, além de algumas obras sacras.
Conta o célebre castrado Farinelli, contemporâneo em Madrid de Scarlatti, que este era um jogador habitual e que a infanta lhe pagava as dívidas de jogo com a condição de Scarlatti ditar os seus improvisos para o papel! O amor da princesa à música salvou assim grande parte da obra de Scarlatti, que se teria perdido inexoravelmente não fora o vício do jogo. Como os improvisos eram pequenos Scarlatti juntava dois, unidos pela tonalidade e pelo estilo, nascendo uma sonata bipartida.
Em conversa com Pierre Hantäi, há alguns meses atrás, discutimos essa questão, o Pierre acha que seria impossível essa história, pelo menos na totalidade, uma vez que as sonatas de Scarlatti revelam uma arquitectura, uma estrutura muito elaborada, muito complexa, o que negaria à partida o conceito de improviso, nomeadamente as últimas sonatas, não as que foram publicadas no início da carreira de Scarlatti e amplamente divulgadas pela Europa e que serviram a Avison para orquestrações a sete partes, também famosas no seu tempo. Hantäi falava das últimas sonatas, de um Scarlatti mais maduro, mais elaborado harmonicamente e mais pensador. Um homem que acaba por morrer com uma idade bem avançada para a sua época e que escreveu até ao fim. Duvidava este cravista que um homem conceituado e maduro, falecido depois dos setenta anos, admirado pelos seus contemporâneos tivesse jogado até tão tarde.
Estou em concordar com Pierre Hantäi. O folclore tem graça, mas a reflexão pensada deita por terra algumas histórias apenas pícaras, mas pouco fundamentadas.
Nota-se também uma liberdade total nestas sonatas, muita influência da música popular, quer portuguesa quer espanhola onde o ritmo de fandango, entre outros, surge de forma desinibida. Os efeitos espectaculares são habituais, para reforçar o brilhantismo da música.

Hoje não vamos para a tecla, vamos para um impressionante Stabat Mater a 10 vozes e baixo contínuo, escrito "à moda antiga". Uma das obras mais enigmáticas deste compositor pela polifonia e pelo virtuosismo da escrita vocal, quatro linhas de soprano, quatro de alto, duas de tenor e duas de baixo. Ouçamos o Inflammatus... neste caso com solo de soprano e tenor.

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CM

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