<$BlogRSDUrl$>

2.7.03

Wagner 



Richard Wagner (1813-1883). Nasceu em Leipzig numa família de pequena burguesia da qual constavam cantores e actores. Wagner contagiado pelo ambiente decide tornar-se músico. Começa por ser autodidacta, estuda partituras de mestres como Weber, que admira como fundador da ópera em língua alemã. Resolve depois inscrever-se como aluno da escola de S. Tomás, onde Bach foi Kantor ou director. Os seus progressos são vertiginosos, aos vinte e um anos é director musical do teatro de Magdburg onde virá a ter o seu primeiro fiasco, a ópera La défense d’aimer obriga-o a uma demissão forçada e a uma deslocação para Riga. É mestre de capela por três anos nesta cidade báltica, onde tem tempo para compor Rienzi, a sua primeira ópera a entrar no reportório regular. Estabelece um hábito, que depois se repetirá diversas vezes: foge de Riga para escapar aos credores que o atormentam. Os credores ficavam regularmente sem qualquer pagamento do mestre Richard, que orgulhosamente lhes exigia, ainda por cima, que lhe perdoassem as dívidas uma vez que se considerava um génio e a um génio tudo era devido!
Wagner dirige-se a Paris, tenta em vão estrear Rienzi e compõe o Navio Fantasma em 1841. Nesta cidade chega a estar preso 3 semanas, evidentemente por dívidas. O sucesso relativo surge com a estreia de Rienzi em Dresden, o que o leva a fixar-se nessa cidade onde é nomeado chefe de orquestra da corte da Saxónia, ficaram então famosas as suas interpretações das sinfonias de Beethoven à frente da orquestra da cidade.
Compõe em Dresden as óperas Tanhäuser e Lohengrim, iniciando também os Mestres Cantores de Nuremberga. Começa a interessar-se pelas lendas germânicas do ciclo do Anel dos Nibelungos. Faz amizade com Bakunine com quem se envolve na revolta de Dresden contra os prussianos, desta vez tem de fugir de Dresden sem ser por dívidas, refugiando-se na casa de Liszt em Weimar. Após este episódio dirige-se a Zurique onde se estabelece nos intervalos das suas múltiplas digressões. O poema do Anel dos Nibelungos, da sua autoria, foi terminado em 1855. Wagner abandona nesse ano a sua mulher Minna, que ele considerava como maçadora e “pequeno-burguesa” sem interesse. Interessa-se por Mathilda Wesendonck, casada por sinal com um burguês, a quem dedica um ciclo de canções e começa a trabalhar em várias óperas ao mesmo tempo: o ciclo do Anel (que consta de quatro óperas), Tristão e Isolda e ainda Parsifal. Termina o Tristão em 1860.
Em 1864 a sua sorte começa a mudar, chega a Estugarda na Baviera onde o rei Ludwig II o apoia incondicionalmente, não sem Wagner encorajar o lado feminino do jovem rei. O rei vai-lhe pagando as dívidas e promete-lhe um teatro, será o teatro de Bayreuth, que veio a ser o altar da música de Wagner até aos dias de hoje.
Wagner vai coleccionando conquistas femininas, acabando em Cosima, filha do seu amigo Liszt e mulher de outro amigo: o maestro von Bülow. Esta relação com Cosima acaba por resultar, alguém disse que tinha todos os ingredientes, é que Wagner e Cosima tinham muito em comum: “ambos amavam Wagner”. O Tristão é estreado em Munique em 1865, havendo quem veja nesta ópera uma metáfora da sua relação carnal com Cosima ou outras mulheres. A corte ordena, por essa altura, o afastamento de Wagner de Munique cuja influência sobre o rei é considerada perniciosa.
Tem três filhos de Cosima com quem entretanto casou em 1870, depois de esta ter obtido o divórcio. Liszt fica furioso e o rei com ciúmes. Bülow acabou por perdoar a ambos e ainda veio a dirigir em Bayreuth em vida de Wagner, Ludwig continuou a financiar Wagner e Liszt acabou por aceitar a situação.
Os escritos de Wagner sobre sociedade e filosofia são perfeitamente abomináveis, considerando os judeus como raça inferior e degradada, os responsáveis por todos os males da civilização e, já agora, das suas dívidas. O mundo devia ser dominado pela raça, cultura e religião germânicas e todas as escórias inferiores, como os judeus e os pretos pura e simplesmente eliminados. A ópera germânica seria o centro da arte total, da espécie de religião do futuro, que os alemães celebrariam no domínio total do mundo sob a direcção de um líder forte. Os Nazis aproveitaram na íntegra as suas ideias sem sequer as distorcerem como fizeram com Nietszche, que chegou a ser próximo de Wagner por algum tempo, vindo a afastar-se quando o filósofo condenou o neo-romantismo nacionalista dos Mestres Cantores.
Acaba em 1874 a tetralogia do anel dos Nibelungos, recebendo como prenda do rei uma casa luxuosa. Em 1876 o teatro está pronto, faz-se o primeiro festival com a estreia integral da tetralogia. As dívidas são gigantescas, o festival terá de ser interrompido por alguns anos, mas o rei acaba mais uma vez por pagar as facturas.
A estreia de Parsifal em 1882 foi o coroar da sua vida, reconhecido e aplaudido, com Bülow na direcção. Esta ópera faz a reconciliação de Wagner com os valores cristãos da redenção pelo amor etéreo e casto, em detrimento do amor carnal de Tristão e Isolda. Morre em Veneza em 1883. Como pessoa era execrável, egocêntrico e egoísta, como músico foi absolutamente brilhante.

Arquivos

This page is powered by Blogger. Isn't yours?