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1.7.03

A questão Mexia, crítica e poesia 

Diz Guerraepas entre outras coisas que podem ser lidas no blogue original, retiro-as do contexto creio que sem as desvirtuar, mas a fonte está presente e recomendo-a:

a (curta) apreciação que fiz à poesia de P Mexia parece-me suficiente enquanto juízo de valor. ... Mas, voltando à poesia de Mexia, parece-lhe que é necessária uma escalpelização detalhada se bem entendo.
...
Gostaria de dizer que o critico é livre (até) de me mandar à fava, mas que o crítico não tem o monopólio do que deve ser a crítica.
Sic

Tenho alguns comentários, ou perguntas, a fazer:

1. Claro que não tenho o monopólio da crítica, mas é ponto assente, que quem tenta criticar sem fundamentar, sem argumentação, não é crítico. Expõe apenas "juízos de valor". Valem o que valem, apenas apontei para esse facto e para as confusões que podem criar no leitor. Eu preferiria ler um belo poema do Pedro Mexia, escolhido pelo guerraepaz, que já mostrou do que é capaz, mesmo sem andar a citar os "mediáticos" (afirmação que fundamentei, elaborando uma lista de citações de GeP), para nos dar a partilhar um pouco do seu prazer. Assim, para julgar por mim, terei de ler o poeta. Ao menos o seu "juízo de valor" tem um efeito benéfico, estimula a curiosidade.
2. Pergunto: Se guerraepas afirma que o que diz é um "juízo de valor" e não crítica porque coloca a última frase?
3. Uma pergunta mais: A citação dos blogues de "mediáticos" é uma tentativa de colagem, uma necessidade tutelar, ou uma natural inclinação para os amigos?
4. Eu prefiro blogues anónimos, valem o seu peso pelo seu conteúdo, e não por assinaturas. Claro que estimo o abrupto, o seu melhor conteúdo é o seu esforço, a sua dúvida inteligente e as poesias de VGM, estimo a escrita sôfrega e deslumbrada de aviz. Repare-se que a minha coluna da direita tem alguns blogues de perfeitos desconhecidos a um nível muito elevado. Porque motivo cirandar pelos MECs e Nelsons de Matos deste mundo? Com todo o valor que se lhes reconhece. São repositórios de conhecimentos antigos. Até o melhor post do Nelson de Matos é um texto repescado do DNA, aliás muito evocador e sobre o maior génio da escrita em prosa do século vinte português: Cardoso Pires.
5. Eu, por mim, pessoalíssimo, prefiro o original, o desconhecido, gosto de ter o desafio da triagem, de ser eu a decidir e não um grupo de amigos estabelecidos, entrincheirados em questiúnculas tribais. Por isso pesco nas águas pardacentas da minha memória, por isso cito o meu tio avô Leite de Faria, que deixou a sua obra poética quase toda por publicar... Por isso prefiro a autodestruição poética de minimalismo, pelo trágico que a autodestruição contém em si. Um vago belo em forma de lembrança. Já agora para o minimalismo: terás o teu Rembrandt, tu que és sensível como uma corda tensa de piano, terás o teu pintor, amigo minimal.

Mais comentários se seguirão sobre as críticas do Expresso, que merecem uma reflexão mais cuidada.

Mas não resisto a mais uma citação de guerraepas pois exprime bem tudo o que disse acima:

O livro de Mexia (Elliot e outras...) é excelente porque a sua poesia é excelente.

Peço desculpa por mais uma vez retirar do contexto, mas como argumento crítico parece-me pouco, como "juízo de valor" é lapidar. E com esta me vou.

CM

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