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27.7.03

Os críticos do Público 

Deviam ter mais cuidado com o que dizem, cito o artigo (retirei link, já não funciona) de Lucinda Canelas, em que diz:

Quando Ana Sendas e Gustavo Oliveira se encontram ao som de uma tarantella em que alguém confessa que sente necessidade de morrer ("Homo fugit velut, umbra", tema interpretado pela formação L'Arpeggiata), e Rita Judas se deixa cair nos braços de Stephan Ehrlich, não há espaço para arrependimentos nem redenções.


Comete diversos erros que induzem o leitor em erro! Ninguém diz que tem necessidade de morrer na Passacaglia della Vita, em ritmo de tarantella: "Homo fugit velut umbra", mas sim: todos vamos morrer, traduzir à letra o "bisogna morire" do italiano do século 17 é uma asneira de todo o tamanho. Dizer por outro lado que esta música, e apenas esta, é interpretado pela Christina Pluhar é deixar entender que as outras não são! O que é mais um erro que induz o leitor em erro. Mais atenção, mais preparação é o que se pede ao jornalista, ao crítico, não a habitual ignorância alarve dos jornalistas que os tornam completamente desprezados pelas pessoas de cultura, pelos artistas e pelos leitores. Assim enganam o público que deveriam servir.

Ouvir
Passacaglia

Segue poema:


O, come t’inganni
Se pensi che gl’anni
Non debban finire
Bisogna morire.

È un sogno la vita
Che par si gradita
È breve il gioire
Bisogna morire.

Non val medicina
Non giova la china
Non si puo guarire
Bisogna morire.

Si more cantando
Si more sonando
La cetra o sampogna
Morire bisogna.

Si more danzando
Bevendo, mangiando,
Con quella carogna
Morire bisogna.

I giovan, i putti
E gl’homini tutti
S’han’a finire
Bisogna morire.

I sani, gl’infermi,
I bravi, l’inermi
Tutt’han’a finire.
Bisogna morire.

Se tu non vi pensi
Hai persi li sensi
Sei mort’, e puoi dire
Bisogna morire.

Anónimo, século XVII



A antítese entre o engano, a alegria e a morte, não pode ser traduzida pelo desejo da morte, mas pela sua necessidade final em termos de devir. O poema neste aspecto de contradição, o poder e o desejo, não se pode afirmar sequer barroco, é ainda uma afirmação do final da renascença num maneirismo muito humano, próprio de uma Itália deslumbrante de luz. Ando eu a estudar esta música e este poema há muito tempo e nunca consegui escrever nada porque ainda não me sinto preparado, estou em reflexão, amadurecimento de ideias...

Leituras superficiais de jornalistas imberbes é que não. Porra! Exigência e seriedade no trabalho e não umas bocas escritas em dez minutos, ou então que se calem e deixem de se armar em "coltos".

CM

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