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4.7.03

Mais Leite de Faria 

Creio que este poema é de 1957, altura em que o poeta atravessou uma profunda depressão, problemas políticos, um afastamento da docência universitária, desamor, tudo se juntava para atormentar o criador... Felizmente este escapou à destruição de papéis que o poeta fez em 1961.



Vivo sem tempo, num tempo sem vida.
Vivo sem vida, numa vida sem tempo.

Sinto o tempo passar incógnito
Pelos dias. Passam árvores, montanhas,
Voo pelos campos neste trem...
Vertiginoso, numa náusea de vómito.

Não existe uma calma ermida,
Algures no alto de umas penhas,
Onde o devir páre num doce bem?
Onde o veloz tormento
Deste viver em frémito, indómito,
Se acalme e morra, sem lamento?

Cova doce, espero-te, vem...

Leite de Faria (1957 ?)

CM

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