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13.7.03

A. Leite de Faria, fase final, surrealista? 


Vi-te sapateira e parei!
Marisco simples, sem nome,
Que a cavalo de uma mesa, se come...
Nem te odiei ou amei,
Regada a vinho branco,
Enjoativa dose que se consome...
Não! Sapateira,
Bicho triste e manco,
A repisar a canseira,
Desta ânsia que é prisão
De uma terrível fome.
Fome tornada convulsão,
Não te adoro...
Horror em autofagia:
Privação!

A terrível lei
Em cima da mesa: A sapateira
Pede que a coma em orgia.
Tu, bicho, escreves poemas?
Não? Então marisco, não temas...
Não é a ti que eu oro.
Não sou eu o teu oráculo.
Sou apenas um receptáculo.
Um palco onde eu próprio moro,
Herói de um espectáculo
Irreal, onde tudo se plagia.

Da saudade o ofício...
Ofereço sapateira em sacrifício.

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