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17.7.03

Este blogue tem andado em baixo, mas aparece alguém que nos arrebita! 

Desculpem-me, mas apetece-me falar de mim. É um intimismo que resulta do cansaço e da fragilidade que este gera.
De facto estou fechado em casa, rodeado de partituras, auscultadores nos ouvidos, ou colunas a debitar, livros sobre intérpretes e compositores, e 150 CD's para ouvir até sexta da próxima semana! No meio disto tudo artigos científicos, cachimbo meio aceso, meio apagado, barba e cabelos hirsutos, tudo alimentado a Reserva Especial Ferreirinha, queijo de Azeitão e broa. A frugalidade espartana de um minimalista defunto. Isso e as trufas com ovos mexidos é o que me tem aguentado, esqueço-me de uma perdiz de escabeche que mando vir (quando o trabalho aperta) do restaurante de um amigo e que o Freitas me traz no carro das compras. Esta noite nem fui à cama, mas consegui escrever um texto jeitoso sobre o Te Deum de Marc Antoine Charpentier, e as suas Leçons de Tenèbres, por diversos intérpretes. Marc Antoine Charpentier um compositor genial, um teórico de elevado nível. Descobri mais um compositor francês do final do Lully e contemporâneo de Marin Marais, falarei dele no futuro.
Depois andei pelo Andreia Marcon, excelente copo e garfo, organista italiano, e pela herança de Frescobaldi, Domenico Scarlatti e Alexandro Scarlatti ao orgão. Se existem três bons organistas, dois deles são: Andreia Marcon e Olivier Vernet. Mas regresso ao disco de Domenico Scarlatti, curioso, sonatas de Scarlatti, geralmente tocadas no cravo, magistralmente interpretadas no orgão do organeiro Callido, no Tempio Monumentale di S. Nicoló, Treviso. Um disco Divox antiqua.
Tenho ainda de acabar uns artigos e acetatos para conferências, meu Verão a andar para trás... Festivais por todo o lado, felizmente no final de Julho rumo à Europa Central.

Pacheco Pereira escreve hoje no Público. Reparo com uma certa angústia, que sou catalogado como blog "cultural", gosto do qualificativo, sobretudo das aspas. Claro que José Pacheco Pereira poderia ter escrito que O Crítico é um blogue " ", o que seria mais de acordo com o conteúdo dos textos. Pelo menos dos últimos, mas agradeço do fundo do coração e de consciência limpa ao eurodeputado. Não tenho vergonha nenhuma de agradecer a quem é sério e honrado, a quem não é fácil e vive de acordo com o que pensa. Sem tergiversões. Hoje não falo de defeitos de ninguém, nem dos meus...
São referências como as do dono do Abrupto que nos alegram. Consequência: mais visitas, comentários em casas de banho públicas, senhoras e cavalheiros a debitar sugestões para o email, o que agradeço, e peço perdão por não responder a todos, mas são às dezenas e o tempo escasseia. Mas cada vez menos liberdade de sermos auto-reflexivos...

CM

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