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1.7.03

Discursos do Paradigma: O paradigma pretextual no Forum Social Portugês 

1. O objectivismo dialéctico e o Forum Social Português

O tema primário dos trabalhos do Forum Social Português é a economia da sociedade cultural. Num certo sentido, Debord usa o termo 'the pretextual paradigm of narrative' para denotar uma ponte entre identidade social, sexo, religião e classe.

O tema principal da crítica de Long[1] da leitura de Derrida é o papel do participante como ideólogo, escritor e fazedor de mundos. No entanto, Marx sugere o uso do paradigma pretextual da narrativa para análise da leitura e da análise dialética do mundo.

Sontag usa o termo 'objectivismo dialéctico ' para explicar a inteligibilidade, com uma subsequente definição característica, de uma sociedade pós-desconstrutivista. Torna-se assim evidente que Scuglia[2] implique que os trabalhos de Tarantino são um exemplo de mito-poética do nacionalismo, desconstruindo assim toda a recorrência exalada de uma imagética puramente ficcionada de um eventual paradigma saído do forum social português

2. Narrativas de economia

"A identidade sexual não tem sentido”, é irrelevante, como diz Lacan; eu não nego, e cito de Selby[3], “not so much sexual identity that is meaningless, but rather the futility, and eventually the absurdity, of sexual identity”. Isto é um assunto de reflexão, mesmo Santos[4] o elabora convincentemente, e esse aspecto, tão debatido, liminar ou subliminarmente leva a esclarecer que as premissas de uma simulação Baudrillardista põe imediatamente em jogo o papel da poética, do poeta e da poesia no comentário social. Poderia ser dito que a distinção, discriminação feminino/masculino, que é um tema central em Tarantino, v.g. “Jackie” Brown, é também patente em “Four Rooms”.

Não, no Forum Social Português não se examina o paradigma pretextual, encontramos exemplos de uma discriminação subliminar subjacente ao discurso hermenêutico e contextualizante de uma ética gongórico recursiva aparentando um descomprometimento linguístico mas não semântico, numa lógica em que a sageza não transparece, antes sim uma longa abordagem desaxiomática do concreto! Estamos perante uma escolha: ou se rejeita a teoria capitalista ou concluímos que a lei é parte da ininteligibilidade da cultura, mas apenas se o objectivismo dialéctico é inválido; o que, para mim e outros pensadores como Laguerre é o foco do problema deste tipo de organizações. Se assim não for o caso, assumimos que o contexto deriva apenas de uma inconsciência colectiva de raízes primitivas. É caso para afirmar, sem papas na língua: se o paradigma pretextual da narrativa funciona, temos de escolher entre o objectivismo dialéctico ou socialismo Marxista, o capitalismo ficaria assim arredado, mas isso se esse paradigma tiver consistência! Nem vou citar mais Debord que promove o uso da libertarismo predialéctico para desconstruir as percepções colonialistas da discriminação, da narrativa simples e da xenofobia narrativa.

Dietrich[5] sugere que os trabalhos de Louçã ou de Tarantino são modernos, duvido, Santos afirma quase o contrário[6]. Mas os debates do Forum Social Português em relação ao libertarismo, com maniqueísmos próprios de um gauchismo não Lacaniano, que não tem cultura própria, não subliminar, para ser pós moderno, o que se nota quando Joanaz de Melo é vaiado. Nenhum pós moderno vaia, um pós moderno desconstrói reflexivamente e retrospectiva projectivamente.

Não podemos encerrar este ensaio sem citar Cameron's[7] sobre o objectivismo dialéctico e a sua afirmação: “is the common ground between society and class”. Quase que estou de acordo, mas o Forum Social Português não pode estar mais longe desta realidade demolidora! Poderia mesmo ser dito que o sujeito deste subjectivismo do intercontextualismo tem de ser contextualizado numa abordagem pós moderna deste Forum, isto numa teoria pós moderna estruturalista ainda por elaborar. Fica aqui o desafio para Boaventura Sousa Santos. Não acredito, e (queixem-se por não fundamentar, mas é uma questão de fé!) se o libertarismo pré-dialéctico triunfa no forum pós moderno social português teremos de escolher depressa o libertarismo textual. Então a tragédia acontecerá: um número enorme de teorias revelando o papel do participante como poeta serão reveladas, descredibilizando perante a sociedade a relevância de tais foruns.

A concluir uma breve referência a Von Junz[8], este autor implica que teremos de escolher entre o libertarismo pré-dialético e uma leitura à la Derrida. Poderia ser dito que a crítica de Baudrillard do objectivismo dialéctico teria valor social, mas isso é o que é de evitar numa teoria estruturante pós moderna dos Foruns Socias mundiais.

Termino com uma pergunta: O libertarianismo pós dialético existe de facto? Bataille usa a expressão 'o paradigma pós cultural da realidade' para designar a realidade mitopoética, eu diria numa hermenêutica, quase onanista, que o desconstrutivismo pós moderno nega à priori, à posteriori, liminar e subliminarmente a consistência de foruns sociais, postergando para uma análise crítica subjacente uma desconstrução programada pelos próprios intervenientes, o que está já hoje a acontecer.

1. Long, P. L. ed. (1985) The pretextual paradigm of narrative in the works of Tarantino. University of Georgia Press

2. Scuglia, T. L. N. (1971) Reading Lyotard: Dialectic objectivism and the pretextual paradigm of narrative. Oxford University Press

3. de Selby, L. ed. (1982) Socialism, the subcultural paradigm of expression and the pretextual paradigm of narrative. Schlangekraft

4. Santos, Boaventura de Sousa. 1989. Introdução a uma Ciência Pós-Moderna. Porto: Edições Afrontamento.

5. Dietrich, A. E. (1975) The Burning Sky: Dialectic objectivism in the works of Stone. And/Or Press

6. Santos, Boaventura de Sousa. 1992. A discourse on the sciences. Review (Fernand Braudel Center) 15(1): 9-47.

7. Cameron, M. A. H. ed. (1984) The pretextual paradigm of narrative, the neodialectic paradigm of expression and socialism. Cambridge University Press

8. von Junz, O. Z. (1997) Contexts of Dialectic: The pretextual paradigm of narrative and dialectic objectivism. Harvard University Press



Agradeço a paciência e as conversas proveitosas sobre este e outros assuntos a:
Mercedes Aguilar
Departmento de Sociologia, Universidade de Salamanca

CM

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