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14.7.03

Crítica à crítica! 

A.M.Seabra regressa à escrita no Público. Uma crónica em que se notam as fragilidades em música deste sociólogo e crítico geral do Público. Nem sequer percebeu que a Orquestra Sinfónica Portuguesa passou um dos piores bocados da sua existência no Requiem de Ligeti. Inexatidão, desafinação absoluta, desacerto total em termos rítmicos. O duplo coro, com o coro da Gulbenkian a ajudar e a safar o péssimo coro do S. Carlos foi o que escapou nesse concerto, os pequenos diapasões também ajudaram.
Capítulo orquestra: notou-se a falta de traquejo no reportório, o tocar a medo, o medo de falhar, uma interpretação frouxa, desenxabida. Os músicos até parece que estudaram, mas faltou a alma mater, a coordenação.
Soltan Pésko é um maestro pouco exigente, facilitista, que não vai ao fundo da questão, não está para se preocupar. Ele talvez até fosse capaz de melhor, mas não é lutador. A orquestra com outros maestros foi francamente superior, basta ter ouvido Jefrrey Tate na nona de Mahler.
Sobra a escrita solística estar datada, claro que está datada, data da escrita da obra, como tudo o resto. Tal como está datada a escrita de Bach.
Fala de "tiques" da escrita vocal, quais? Serão glissandos? Passagens em saltos? De que tipo? Será o uso de largas extensões? Ou serão os contrastes dinâmicos? Agógicos? A coordenação rítmica das entradas das solistas com os sucessivos ataques dos naipes e do coro? Nada, apenas tiques! Como qualificativo crítico uma total e confrangedora falta de concretização, Assim é fácil criticar: "tiques"? "Tá bem"...
Outro naco é "sabendo-se das suas complexidades harmónicas e rítmicas", quais? Pergunto? Nada, qual o problema rítmico, onde surgem complexidades harmónicas? Nada... o que para um crítico como A. M. Seabra é muito pouco.
As minhas questões não são essas. É saber se, apesar da datação, a escrita tem qualidade. Se sobrevive ao teste do tempo. Com Ligeti tenho a certeza que sim, a música é lindíssima, tem uma qualidade impressionante. Por isso, apesar de estar datada, ouço a música de Marin Marais, por Jordi Savall. Por isso ouço Arianna Savall, a cantar de forma notável, Marazolli e Navas. Por terem qualidade ouço as partes solísticas do requiem de Ligetti.

A. M. Seabra quer dizer com "datada" que a música é de qualidade inferior? Se o quer dizer que tenha coragem e o diga preto no branco. Tal como quando diz mal da jovem Arianna Savall, talvez não porque cante mal, mas porque é filha do Jordi Savall?

Consultar enciclopédias é fácil, ser inteligente e disfarçar falta de conhecimentos musicais vai-se conseguindo. Levar os ouvidos ao concerto é mais difícil...

CM

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