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11.7.03

Continua a discutir-se economia sem matemática 

Em Liberdade de Expressão continuam-se a enunciar "bocas" como se tratassem de verdades absolutas. Debruço-me só sobre uma:

"A intervenção do estado diminui a eficiência da economia".

Gostava que o LdE provasse esta boca. E sobretudo, que definisse "eficiência" e "intervenção".

Se "eficiência da economia" quer dizer "bem estar dos cidadãos" afirmo que o Liberdade de Expressão continua enganado. Não discuto a questão salarial, discuto apenas a questão da intervenção: impostos, retorno dos impostos à sociedade, aspectos filosóficos deste retorno contra a tal "eficiência da economia" que LdE não define. O que se passa é que existem serviços que o estado assegura, importantíssimos do ponto de vista filosófico, com valor fiduciário intangível.
São serviços e bens que:
a) não são apetecíveis em termos económicos para os capitalistas,
b) os capitalistas não são filosoficamente (no meu entender) os agentes apropriados a certas acções, que devem emanar da sociedade no seu conjunto,
c) os capitalistas não conseguem responder a rupturas essenciais em tempo útil, uma vez que estas rupturas criam situações de enorme desequilíbrio entre oferta e procura, gerando especulação e rapina, que em termos sociais e éticos seria criminosa.
Há sectores que não podem estar entregues a simples agentes económicos, que não o estado (o estado no meu entender é e deve ser agente, com legitimidade emanada da sociedade legitimada pelo voto). São, em meu entender: a defesa, a segurança social, a saúde, a justiça, a segurança interna, a gestão de catástrofes, o sistema de ensino, o ordenamento do território, a defesa dos recursos naturais e do ambiente, a conservação do património, a defesa da cultura e da arte, o apoio ao desporto (não lucrativo quer seja de alta ou competição ou juvenil ou ...), e mais haverá.

O liberalismo puro em termos éticos e filosóficos é a selva, seria também a selva urbana, o caos ecológico, o principal problema do capitalista é a sua avidez natural, a sua ganância, a sua falta de ética. Teríamos sociedades de "patos bravos" (Portugal) ou "sicilianas" (Itália, novos estados de leste), onde a autoridade e intervenção do estado é pequena, a corrupção grassa e a selva também se instala.

O liberalismo puro não é democracia, é apenas uma plutocracia em que dirigem os agentes económicos que detém o capital. Filosoficamnte não poderia estar em maior desacordo. O que não quer dizer que o estado seja bom gestor, seja eficaz, seja produtivo. Não é, creio que a solução é um equilíbrio muito delicado entre o papel dos agentes económicos, capitalistas, trabalhadores, consumidores, estado como agente directo e o estado como regulador. Um estado capaz de assegurar os serviços básicos que se esperam do estado, que é a sociedade no seu todo. O estado são os cidadãos, uma verdade que os defensores do liberalismo puro se esquecem, ou fazem por esquecer.

CM

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