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15.7.03

As falácias de LdE 

Demorou, mas saiu. Um artigo tão falacioso, tão cheio de falsas interpretação do que eu afirmo que, desta vez, vou deixar apenas esta pequena nota.

Começo pela pérola final: é fantástica. Denota a maior ignorância da história, aliás própria dos adeptos das teorias liberais, que se percebessem um pouco de história, ou tivessem um pouco de boa fé, já teriam abandonado as mesmas teorias há dezenas de anos. A 1ª Guerra Mundial teria acontecido quer a "Mão Negra" tivesse ou não assassinado Franz Ferdinand. O problema foi o acesso da Alemanha às tais fontes de nega-entropia. A coisa é tão evidente, a morte do Arquiduque foi apenas um fósforo, qualquer outro teria servido. O problema da diminuição do lucro. No império Austro Húngaro a situação é claríssima, tenta-se a guerra como último recurso, uma forma de suster um declínio inexorável.
O bárbaro e macabro atentado de Sarajevo foi bem semelhante ao crime hediondo de 1908 em Lisboa, os socialistas e republicanos consideram ainda hoje um acto heróico, quando é um exemplo de cobardia política e de crime organizado.

Outra questão simples é a seguinte: eu afirmei que a crença de Lde no liberalismo é uma questão de fé. Ninguém conseguiu provar que o liberalismo é melhor ou pior, muito menos LdE que nega o papel da matemática no estudo de sistemas com muitas variáveis, onde a matemática é muito mais necessária! Basta saber um pouco de sistemas complexos e de termodinâmica ou de economia, para perceber que existem bons modelos para fenómenos muito complexos, mas a questão não pode ficar por aqui, no "diz que disse". Teria de ser debatida a sério, em seminários em conferências, não basta vir para a praça pública e com falácias afirmar que a matemática não serve, numa afirmação arrogante de ignorância assumida, LdE parece dizer: não sei usar matemática para provar os meus argumentos e tenho raiva a quem sabe.

Eu deixo claro que, face aos argumentos de LdE, a minha crença num sistema menos liberal não precisa de fundamentação, é a tal questão de fé da qual acuso LdE. Quando LdE tentar provar, (o que duvido que faça) que o seu sistema é melhor usando demonstrações matemáticas, logo o tentarei refutar numa discussão científica séria, que LdE tenta evitar a todo o custo. Mistura na sua argumentação os impostos que ele próprio paga e a educação dos filhos! Isto é argumentação científifca? Se LdE conseguir, com argumentos coerentes e científicos, demonstrar o que diz, serei o primeiro a felicitá-lo.

O ónus da prova fica cam ele. Ele que se tem recusado a discutir seriamente, aliás não pode, essa é a minha questão: a fé, não acredito que LdE consiga provar nada de bom sobre o liberalismo, por isso a sua negação da matemática. Aliás as crenças de LdE são bem patentes ao questionar o papel do estado, entenda-se neste último: os actores das decisões políticas e económicas. Ele não acredita que o estado seja melhor num sistema económico do que os agentes autónomos.

Eu afirmo o contrário, os bancos centrais e os ministérios das finanças têm gabinetes de estudos com especialistas, cientistas, que são de facto muito melhores que os matarruanos dos empresários, consumidores e trabalhadores portugueses, aos quais se deve o atraso estrutural de Portugal. Claro que os cientistas também falham. Mas acredito nas intervenções ao nível das taxas directoras centrais do BCE e da RF, acredito no uso de impostos para moderar ou estimular o consumo, ou em aumentos do défice para investir em momentos de recessão. Acredito em instrumentos legislativos para empurrar a actividade económica para a modernização. Mas isso carece de um estado que saiba e consiga implementar medidas.

Afirma que o modelo do lucro está ultrapassado, não explica porquê nem consegue apresentar melhor! Por ser oriundo da teoria marxista? Mas nega LdE o papel teórico deste pensador? Eu, apesar de não ser marxista, penso que os contributos teóricos desta escola são de valor inestimável. E não se precisa de ser marxista, em termos filosóficos, para o perceber. Onde e quando foi o modelo ultrapassado? A equação não vale? Ou as variáveis mudaram de nome? Parece que LdE tenta apenas baralhar, dizer que as variáveis mudaram de nome, mas o modelo parece bem de pé, pelas próprias palavras de LdE.
Mistura conceitos e fala de impossibilidade físicas com a mesma liberdade com que nega a matemática. Exemplo "a fábrica sem trabalhadores" o sonho de qualquer capitalista, e já agora, parece que é o sonho de LdE. Claro que também não teria consumidores! Mas isso não o apoquenta...

Por outro lado acredito profundamente nas motivações económicas da intervenção política no Iraque, conscientemente ou não, foram decisões de tipo económico que motivaram a intervenção. E curiosamente numa economia que se pretende liberal! Dá LdE um exemplo imbecil: Rumsfeld a falar com Bush, em que me tenta ridicularizar, sem colocar no plano científico a questão, o que também prova a má fé de LdE em termos argumentativos. É ridículo pensar que Bush ou o seu secretário de estado saibam de economia, como é patente. Mas a taxa de lucro diminui, é preciso abrir o sistema para evitar essa diminuição. Obrigado ao LdE por explicar tão bem, involuntariamente, o mecanismo que leva os estados a sair de portas numa tentativa de quebrar a diminuição das taxas de lucro, que se reflectem por uma recessão, face visível do fenómeno. O mecanismo repete-se desde a anterior guerra do Golfo. O mecanismo de resposta resulta! Vai-se buscar energia barata, fora de portas, diminui-se a composição orgânica do capital e aumenta-se a taxa de exploração! q.e.d.

Mais tarde voltarei ao assunto.

Os maiores cumprimentos
(desta feita com u! que a extensão de LdE está a ficar desmedida)

CM

P.S. O modelo apresentado T=E/(C+1) pode ser melhorado, sobretudo na análise dinâmica das variáveis, estou aliás a estudar o assunto, mas não vou expor aqui matéria científica de investigação antes de ser publicada em revistas da especialidade. Se o LdE quiser, poderei enviar-lhe os papers.

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