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23.7.03

António Rosado 


Um pianista a caminho de Andrómeda. Um concerto de Ravel em delírio de facilidade, ritmo, sentido melódico, sensibilidade. São assim os superdotados, parece tudo natural, fácil. Falo do Casino do Estoril, Festival do Estoril, 21h30m, 22 de Julho.
António Rosado comandou do piano uma orquestra sinfónica nacional a melhorar vivamente, com pouco ensaios, a tentar ficar para trás nos andamentos rápidos. Rosado não deixou, foi absoluto, totalitário, enérgico, um almirante ao piano!
O início do concerto parecia o desastre iminente, a entrada da orquestra foi desastrosa, o tour de force rítmico entre o piano e a orquestra saiu desacertadíssimo, o maestro bem dava aos braços, mas os músicos não mexiam muito... Rosado não se impressionou, assim que se apanhou a solo: arrastou a orquestra pelos colarinhos, tocou no seu ritmo vertiginosos e conseguiu empolgar os funcionários públicos, ou gatos pingados soi disant, e colocou aquela gente a trabalhar, a suar, e milagre: a música aconteceu. Tirando uns exageros dinâmicos - forte demais no andamento lento - contrariados pelo maestro Miller (muito razoável), umas entradas em falso acoli e a orquestra até cumpriu. Mérito da força interior de António Rosado, da sua energia vital, transbordante até ao âmago do conhecimento e domínio da técnica em Ravel. Pergunto: o que falta a Rosado para mandar esta choldra às urtigas e fazer uma carreira internacional à séria?

CM

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