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12.7.03

Afinal em que ficamos? 

Diz LdE que, afinal, a redistribuição dos impostos até nem é má ideia. Para quem não queria pagar impostos, não será contraditório? Por outro lado pega na minha deixa da Rússia para tentar rebater o meu texto. Será o argumento do homem de palha ao contrário? Queremos ou não regulação do estado? Queremos ou não um estado forte que impeça a corrupção, o descalabro urbanístico, o desperdício de recursos e a poluição? LdE ainda tem tempo para se desdizer sobre a matemática, afinal a matemática é importante? Afinal em que ficamos LdE?

Parece-me que estamos conversados. LdE não consegue explicar porque motivo o Liberalismo é melhor para a economia, eu consigo explicar porque motivo é pior do ponto de vista ético. Eu acredito que o Liberalismo é pior para a economia, porque a regulação do estado evita rupturas, porque intervém sobre taxas e impostos de forma a atenuar as crises, porque confere segurança social aos mais desfavorecidos, porque é capaz de endividamento, de investimento maciço em sectores em que a iniciativa privada não tem capacidade ou apetência. Porque evita a especulação. Enfim, porque os aspectos sociais são salvaguardados e porque a economia, como sistema dinâmico discreto que é, entra em regime estacionário com lucros sustentados. Evita-se a auto destruição a que o aumento conjugado da composição orgânica do capital e o aumento da taxa de exploração levam. Teríamos a redução global da taxa de lucro e fim do capital, a entropia máxima para o qual qualquer sistema termodinâmico tende! Qualquer livro de economia básico explica esses efeitos...

taxa de lucro = taxa de exploração/(composição orgânica do capital + 1) ou seja L=T/(C+1)

Num sistema liberal T cresce mais depressa que C ( noutros sistemas também acontece em menor grau, obrigado a vetopolitico por me ter suscitado esta nota de clarificação do meu texto). A exploração (produtividade) que se consegue extrair da mão de obra é limitada por factores físicos e a composição orgânica do capital pode crescer imparavelmente! Esta é uma análise rápida, mas parece óbvia. Mas este assunto não é tão simples como parece. T e C estão ligados por um sistema dinâmico acoplado, cuja modelização é complexa e que depende, claro, de L. O que é óbvio é que, num sistema liberal, o detentor do capital tenderá sempre a recuperar os lucros que vai perdendo, com o aumento da composição orgânica do capital, tentando aumentar indiscriminadamente a da taxa de exploração, argumentando que o lucro está a decair. Isto levará invariavelmente a rupturas sociais!
A "civilização" tem resolvido este problema de forma muito simples: com a guerra! Canaliza o descontentamento para a guerra e tenta cantrariar a equação com a destruição dos recursos dos outros ao mesmo tempo que tenta aumentar os seus. A 1ª gerra mundial é o exemplo acabado para onde o liberalismo levou o mundo. Aumentar a taxa de exploração, reduzir a composição orgânica do capital. Novos mercados, novos trabalhadores, menos composição orgânica nos vizinhos derrotados, mais mão de obra (barata), de forma a ganhar espaço para os capitalistas dos países vitoriosos. Hoje em dia os Estados Unidos esperam sair da recessão com a Guerra do Iraque, um negócio bem ao gosto do liberalismo, com a equação acima bem presente, já há cem anos que é conhecida...

Comprimentos de um humanista, conservador, mas não liberal.

P.S. Dizem os arruaceiros da causa liberal (serão alunos de LdE?) que eu sou socialista, triste maniqueísmo, "se não se é liberal é-se socialista". Felizmente que LdE não é capaz de tais raciocínios (?), senão eu já não estaria a debater o assunto. Os émulos da segunda fornada são sempre uma espécie de anões velhacos, fazem lembrar os tristes seguidores do "Omeupipi" um género de claque infame que ao apoiar LdE só lhe retira credibilidade. Felizmente que eu também não sou socialista. Apenas defendo uma intervenção do estado, bem mais pequena do que em Portugal, mas muito mais eficaz e forte, por razões de bem estar social e de modelo matemático para a economia.
CM

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