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25.6.03

Quarto de Hotel 


Os sapatos abandonados com negligência, as malas ainda fechadas, a visão do chapéu suspenso, do vestido sob o sofá, inscrevem nesta cena intimista a aparência de um acaso e de um instante, breve, fugaz, inconsequente, como aparentemente poderão ser todos os instantes. Mas é do tempo que não passa, da solidão e do silêncio, no corpo que se curva, na carta que se afasta, no rosto que se não vê, que fala esta pintura de Edward Hopper, simultaneamente simples e sofisticada, objectiva e difusa, sofrida e pacificada.
Na intensificação destas sensações, ou na dimensão poética desta imagem, a luz, na relação com a cor, tem um papel fundamental. Os contrastes e gradações cromáticas, o amarelo do fundo que recorta, ténue, a forma do chapéu, ou os brancos inesperadamente mais brancos, são apenas a consequência de um dos mais poderosos instrumentos do seu autor, a luz. Sem ela, como poderiam as suas casas abandonadas, as suas janelas à noite, as suas paisagens desertas exercer um tal fascínio sobre nós?
Edward Hopper (1882-1967)

Quarto de Hotel, 1931
Colecção Thyssen-Bornemiza
CP

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