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4.6.03

A pedido de várias famílias, cá vai um texto sobre história, há quem diga que há pouca, os mesmos que dizem que o soneto ainda não morreu, creio que realmente é verdade, tive uma surpresa fantástica ao abrir o Abrupto. Parabéns Abrupto e convidado. O nível é muito alto ao nível da tradução, mas o soneto sobre os blogs, o tal inédito do VGM só será interessante ao nível da brincadeira de putos que, como poesia, é abominável. Como dirá a Coluna infame, até o Alves Redol, ou mesmo o outro Alves, fazia melhor.
Agora cá vai o meu trabalho de investigação histórica...

Mistério dos paineis finalmente resolvido


Fez-se finalmente luz na minha cabeça, conto em breve publicar esta teoria numa revista científica da área. Resolvi os problema dos míticos paineis de S. Vicente, que poderão ser ainda de D. Fernando ou de D. Afonso V, ou até de D. Pedro.

Fui a debates, li obras de vulto, como o já famoso texto de 94, com as últimas contribuições para o problema dos paineis. Li ainda o texto de Jorge Filipe Almeida e de sua mãe, Maria Magalhães.

Comecei a relaccionar tudo com um simples facto: todas as inscrições de vulto dos paineis estão ao nível da sola do sapato, "monograma de Nuno Gonçalves", ou ao nível da orla da bota do adolescente. A luz a pouco e pouco fez-se no meu cérebro, mas tanta referência pedicular? Tanta bota com monograma, tanta sola com criptogramas? Encafuei-me na torre do tombo, e descobri a relação dos artesãos de Lisboa, de D. Duarte 1433 a D. Afonso V, antes da viagem a França deste rei pateta, lá estavam os registos dos impostos deles todos, com chancela e tudo da tesouraria do paço, folio 4235-A-2!

Milagre, reparei eu, não um pintor Nuno Gonçalves, mas sim um pintor Antão Gonçalves em 1433. Reparei, isso sim, um Gonçalo Nunes, um João Nunes, um Nuno Gonçalves (eureka), todos fabricantes de solas, arreios e botas para casa real, com isenção de taxa e privilégio! Isto não basta, pensei eu, tenho de ver o livro de assentos da paróquia, eis-me a caminho da Sé, e no fólio 537, de 1412, lá encontro Gonçalo Nunes, como pai de Nuno Gonçalves, sendo Gonçalo sapateiro. O puzzle estava quase completo, só tive de perceber quem era o Antão, então continuei pelo livro de assentos de baptismos e descobri a prova final: Antão Gonçalves nascido em 1414, irmão de Nuno Gonçalves e filho de Gonçalo Nunes. Todos os outros eram netos do primeiro. Sendo o Antão o mais novo dos dois irmãos e tio dos últimos!

Mistério descoberto: os monogramas e inscrições são todas do mestre sapateiro Nuno Gonçalves, irmão do pintor Antão, com oficina e privilégio real. Antão, com uma encomenda tão boa, a dos paineis para a Sé, e vendo o negócio do irmão fracote, o que aconteceu depois de 1445 e durou até 1471, resolveu fazer publicidade nas botas da família real. Não sei se o processo resultou, porque até se durante 120 anos se olharam para as inscrições e ninguém se lembrou de ir à sapataria Gonçalves! Uma simples investigação complementar prova que ainda lá está hoje, ao Calhariz da Calçada do Combro em Lisboa. Em vez disso preferiram andar à batatada, desde as bofetadas do Almada ao Bragança e vice versa que ninguém se entende sobre o assunto. E continua hoje... e o pobre do Gonçalves com a loja às moscas.

Os maiores cumprimentos a certos historiadores da arte (sabe-se quem é), aos matemáticos, aos pintores, aos sapateiros de qualidade, do vosso crítico de música armado aos cucos.



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