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18.6.03


Os liberais e os sociais

(menos os do forum, que isso é folclore)

Em Liberdade de expressão (LdE) comenta-se o meu comentário ao Liberalismo, lá terei da contragosto responder, uma vez que não é o meu tema preferido. Li os textos de Modus Vivendi e de Intermitente, contribuições interessantes. De qualquer modo este é mais um daqueles temas recorrentes.

Mais uma contribuição em Filhos de Viriato/ (nota a 19/6).

Em primeiro lugar afirma a LdE que não acha Mercado como Deus sobre a terra, mas parece, uma vez que os argumentos que cita são dissertações sem qualquer validade científica. Por outro lado questiona o poder do estado como agente no mercado.

A questão não é científica. A questão é de fé e de posição de classe. Eu por posição de classe até deveria ser liberal, mas como sou humanista recuso-me ao maquinalismo do fenómeno económico. E o argumento de "fazer solidariedade com o dinheiro e o suor dos outros" de LdE é o mais puro exemplo de absurdo liberal, de demagogia fácil - não científica - e, diria mesmo, animal (no sentido de selva competitiva). Claro que não é fazer solidariedade com o dinheiro dos capitalistas. É uma questão de apropriação:
- Uns apropriam-se do dinheiro e do trabalho dos outros, quer como trabalhadores, quer como consumidores. O estado apropria-se do dinheiro de quem se apropriou, redistribuíndo-o.
Os que se apropriam primeiro nunca gastariam esse mesmo dinheiro com o bem estar de todos.

A moralidade disto? Interessa? A mim não muito. Mas até está de acordo com os valores humanistas e cristãos a que a generalidade dos liberais se dizem apegados.

Recuso argumentos pseudo-científicos. Em revistas da especialidade ou em conferências já começo a aceitar. Se quiser argumentar cientificamente , caro LdE, ponha as equações e os argumentos em cima do seu Blogue. Eu demonstrarei se, em face das hipóteses, o que diz está ou não certo, do ponto de vista matemático. Depois questionaremos as hipóteses.

O que não me parece legítimo é dizer que: sendo o sistema dinâmico caótico deve ser autorregulado, conduzindo a intervenção do estado a maiores desvios. Claro que é por o sistema ser caótico que tem de ser regulado e não o contrário, de onde se conclui que existe uma falha lógica na argumentação de LdE.
Por outro lado a questão de legitimidade:
- LdE nega o papel do estado como agente regulador. Porquê? O estado, cujos dirigentes políticos são eleitos por todos os cidadãos e, em última análise são os próprios cidadãos, não terá o poder legítimo de ser agente. Qual a legitimidade de um empresário ganancioso e alarve, mas com jeito para o negócio, de ser agente? Ou um comprador compulsivo, manipulado por media ao serviço dos mesmos empresários? O estado regula, introduz equilíbrios onde antes existiria o caos. Basta ver no que deu a revolução industrial, liberal, no século XIX. Recusar o papel do estado é negar o princípio da legitimidade do poder nos regimes democráticos.

O que não quer dizer que o estado, e a sua intervenção, impeçam o decréscimo global da taxa de lucro. Em média, claro. Sobre o exemplo da saúde, acrescento que quando a composição orgânica do capital começar a crescer mais depressa que a taxa de exploração, o lucro desce. É a única verdade matemática que posso garantir a LdE. Pode-se consultar qualquer tratado de economia.

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