<$BlogRSDUrl$>

20.6.03

O prometido é devido: Ecce Homo no século XVI, uma explicação 

Com total frontalidade, na sobriedade áspera dos elementos figurativos, o halo decorado, um homem de mãos atadas, um laço de corda pendente do pescoço, os espinhos da coroa rompendo o pano que o cobre, alguns pingos de sangue... Eis o Homem!
Ecce Homo
Por se tratar de uma imagem que combina a economia e a ambiguidade dos materiais figurativos com uma expressividade intensa e rara, a pintura com o tema Ecce Homo, não só foi avaliada como uma das mais importantes realizações picturais do séc. XV português, como foi atribuída ao genial Nuno Gonçalves, autor dos Painéis de S. Vicente. Um razoável número de réplicas garantia-lhe a originalidade e o protagonismo. Mas a dúvida relativa à cronologia começa a reflectir-se na escrita de um ou outro historiador, já em meados dos anos 90. Os desgastes da matéria, os repintes deformantes, a técnica simplista... são factores evocados na historiografia para a indicar como uma das mais enigmáticas pinturas do acervo quatrocentista. Peter Klein, através do estudo dendocronológico da madeira do suporte, deu o veredicto final: a pintura não poderia ter sido realizada antes de 1565, simplesmente porque o abate da árvore ocorreu após esta data. Que os pintores antigos tenham utilizado madeiras com anos ou décadas de existência para os seus suportes rigorosamente ensamblados e preparados é uma realidade suficientemente averiguada, mas que tenham pintado “sobre árvore”?!
O Ecce Homo é, portanto, uma pintura do final do séc. XVI ou já do início do XVII. Mas, com toda a certeza, é uma réplica de um original perdido cuja qualidade e mistério permite, como nenhuma outra, evocar.

Arquivos

This page is powered by Blogger. Isn't yours?