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30.6.03

Mr. de Sainte Colombe le Fils 1660-1720(?) 

Escuto em estado de encantamento Jordi Savall, no seu último disco, gravado em Fevereiro de 2003, no mosteiro de Cardona. Em particular a finesse, a subtileza, a beleza serena do pizzicato da double da suite em sol menor deste compositor, quase esquecido durante 300 anos.
O manuscrito da obra encontra-se na Catedral de Durham, uma vez que Sainte Colombe le Fils se refugiou em Inglaterra por motivos religiosos. As suas obras não se encontravam publicadas. Sabe-se muito pouco deste notável compositor, sabe-se apenas que seria filho (natural) de Mr. de Sainte Colombe le Père, este último foi professor de Marin Marais, além do seu filho. Os andamentos são danças estilizadas, muito longe dos seus protótipos, numa construção parecida com a que Bach viria a adoptar mais tarde, exemplo: a suite em Si menor tem como andamentos Pelude, Allemande, Courante, Sarabande, Gavotte e Gigue.

Nota-se nesta suite uma arte muito especial, a "arte do acompanhamento a si próprio" que Bach retomaria nas suas suites para violoncelo e viola pomposa a solo.
Quem gosta de Bach nas suites para violoncelo solo deveria escutar Jordi Savall nestas obras. Jordi Savall consegue, mergulhando na música nos dias dos seus anos de estudo, estudando, lendo, vivendo, a excelsa virtude de não parecer um músico de hoje. A sua arte parece que nos leva até esses dias de seiscentos, delicadamente, sem forçar, a pouco e pouco entramos na máquina do tempo.

Só a música nos provoca estes efeitos. Na falta de imagem de Sainte Colombe le Fils, ficamos com a fotografia do intérprete:


O disco está incluído num trabalho da editora AlliaVox, que é propriedade do próprio Jordi Savall, trata-se de uma caixa: "Le Parnase de la Viole" e inclui três Cds, dois de Sainte Colombe le Fils, com suites, e um de Marin Marais com peças de viola.

Neste último CD participa Philippe Pierlot, violista exímio, além de maestro notável, responsável pelo Ricercar Consort, um tipo fantástico que participou na Festa da Música dirigindo o Stabat Mater de Pergolesi, cantatas de Marazolli, o Nisi Dominus e o Stabat Mater de Vivaldi, e mais peçsa de viola da gamba, em 9 fantásticos concertos, adora Lisboa e pasteis de Belém. Participa também o Pierre Hantaï no cravo e o Rolf Lislevand no alaúde. Falaremos mais tarde deste CD notável de Marin Marais.
CM

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