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25.6.03

Mais poesia de Leite Faria 

A folha em branco contempla-me
Objecto inspirado do prazer vago.
Que inanimado me persegue em ondas
Sonoras de esperança disformes,
Ondas de alegria conformes,
Que no correr dos dias perpassam
Uniformes…
Sussurrantes em sucessão,
Murmurantes e dissonantes contornos
Daqueles fins de tarde.
Uns dias quentes outros amargos
Que sempre assim me fizeram.
Tristes, ou calmos e ternos,
Esses dias conformes
Ao uso e costume de passarem.
Vagos e tristes, desinspirados
Triviais,
Que nestas horas banais
Procuram esquecer a procura
Do ideal de loucura
Que passa sempre nestes dias iguais.
Sem um café ao fim de tarde,
Sem um ai que me resguarde
Da ilusão que nestes dias brancos
Me levam para qualquer parte.
Fora deste papel que me mata
Desta ilusão que me aparta
De ti, amor que já não sinto
Daqueles dias em que o sol brilhava,
Lento sonolento lá no céu
Em que no mar se via o teu
Rosto com nome e com noite,
Ao fim da tarde que me ensonava.
Verão dos meus vinte anos,
Mar de todos os meus dias
Mata-me em fantasias,
Afoga-me que mais nada sei
Apenas o papel que me absorve
Longo e branco sonho,
De louco em noites brancas
Assim vagueio pelas trevas
Negro papel tu não me conservas
Onde te escrevo estas linhas.
Louco papel sem nome
Onde recordo o amor
Que me consome.

Anos 50

CM

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