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19.6.03

Mais poesia de Leite de Faria tirada do baú

Mais uma poesia de Leite de Faria, um papel apanhado de novo nas malhas de um livro, penso que Leite de Faria em 1955 terá tido uma crise com a mulher que então vivia, a escritora Maria Luíza Gomes, espero ter conseguido transcrever correctamente as linhas manuscritas de A. Leite Faria, desta feita escreve a tinta castanha. Bach também usava tinta castanha...



Porque será
Que me estou nas tintas
Para toda a gente?

Porque será
Que o que pintas
Me é indiferente?

Porque será
Que nunca acho lindas
Frases do bobo inteligente?

Porque será
que nunca findas
Uma frase coerente?

Porque será
que em adegas e quintas
Bebo desalmadamente?

Será que terei:
De te amar?
De te responder?
De te agradecer?
De te agradar?

Será que serei
Complexo sem fim:
Minha alma vendida,
E que como corre o marfim
Também deixo correr a pena...
Sou opaco até de mim

Só te peço querida:
Não me faças outra cena.

A. Leite de Faria

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