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24.6.03

Gustav Leonhardt escreve-nos uma carta com mais de trezentos e cinquenta anos 

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E se eu falasse de Gustav Leonhardt? Cravista, director, organista, professor, musicólogo, não a propósito da carreira deste gigante, que navega o seu navio almirante a caminho dos oitenta anos, levando atrás de si navios grandes e pequenos dos seus alunos, e de toda a sua escola, de todos os que amam a sua forma de tocar e de pensar. Não caberia num blogue, num texto que leva cinco, dez minutos a escrever.
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Não, falo apenas de um CD, editado em 2002 pela editora Alpha (disco 026), rapidamente se tornou um ícone, prémios, diapason d'or, choc, R10, telerama ffff, classica, que aliás não interessam para nada: O José Cardoso Pires nunca levou com o Nobel! Leonhardt toca, de forma elegante, subtil, discreta, vivíssima, articulando sem frasear, em música de uma profundidade absoluta de Girolamo Frescobaldi (1583-1643) e de Louis Couperin (1626-1661). A percepção da música é muito semelhante nestes dois compositores. A música não é fácil, é imitativa, é muito livre, quase irracional aos nossos ouvidos na sua demanda do novo, do experimental. Um único retorno, as batidas dos compassos, a medida. Tudo o resto é livre. Leonardt meditou, pensou, interiorizou, interpretou, exprimiu...

Uma suspensão do tempo, irreal, uma realidade quase intangível, mas viva, tão viva que choca, somos atingidos a trezentos e cinquenta anos de distância. Bebemos o vinho, comemos o pão e ouvimos a música. Sentimos o mundo que pisamos igual, ..., mas tão diferente.

Leonhardt é um mágico.CM

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