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17.6.03

Em Liberdade de expressão comenta-se a minha irritação com a direita e o liberalismo. Podia-se ter comentado a minha irritação com a esquerda, pelos vistos concordaram nesse aspecto. Estou-me nas tintas, aqui não preciso de teorizar, conheço demasiadamente bem a teoria dos jogos, as estratégias ganhantes e as matrizes, para perceber que uma teoria linear é completamente incapaz de descrever o fenómeno económico, muito menos o fenómeno social. Só um modelo de sistema dinâmico discreto, mas que envolve demasiadas variáveis e muitas aleatórias, pode modelar o sistema económico. Claro que um sistema dete tipo é caótico. Mas ainda falta perceber para onde tende a taxa de lucro e como varia em termos dinâmicos com a intensificação do capital e a taxa de exploração, embora estudos recentes apontem para um decréscimo, num sistema capitalista, e rapidamente no caso liberal. O que significaria que um sistema liberal está condenado a longo prazo.
O que me preocupa é outra razão, mais simples, é que não gosto de ver o meu semelhante a morrer de doença porque não pode pagar o hospital, não gosto de ver o menino ir para as obras, porque o pai não pode pagar a escola. Ou não gosto de ver o idoso com reforma de miséria depois de ter trabalhado uma vida. É uma questão de perspectiva. Por isso acredito no estado providência. Por isso nego o liberalismo puro e simples, que leva a uma acumulação injusta da riqueza, e advogo a solidariedade social, através de impostos, claramente. Bem aplicados, bem fiscalizados, justos. Por isso não acredito nos Estados Unidos e acredito na Suécia ou na Noruega.
Mas pior que a direita é quem fala do que não sabe, como se tivesse a iluminação divina do Marx pós moderno, Boaventura Sousa Santos. Sobre este assunto só tenho uma coisa a dizer: Sokal (ver link à direita) citou Boaventura Sousa Santos no seu texto no Social Text! Uma história gira, Sokal, físico, resolve publicar um texto para o gozo, mas muito complexo para quem não percebe nada do assunto, na consagrada revista Social Text, uma revista mítica dos Pós Modernos. São mesmo pós daí a grafia. O artigo foi aceite e citado!! Isto reduz a ridículo qualquer Boaventura Sousa Santos, que o melhor que devia ter feito era ter ido dar aulas no liceu ou explicações para a Musgueira como o engenheiro que teve vinte a matemática e não sabia nem o PIB, nem fazer uma conta.
De qualquer modo não sou crítico económico e social, nem me alinho, foi esse o sentido do meu post sobre esquerda e direita. Dei uma opinião. Continuarei a escrever sobre música e poesia. Sobre política só quando me apetecer, mas sem pretensões.

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