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11.6.03


As saídas dos blogs


A saída de certos blogs da blogosfera é vista como trágica por certos blogueiros. Acho saudável. Explico porquê:

Existem centenas de blogs, muitos de elevada qualidade.

Muitos dos blogueiros mediáticos estão habituado à subserviência mediática no exterior. Não estão habituados à sua afirmação por mérito próprio. Existe geralmente uma teia, quase africana, de reconhecimentos sociais, que lhes permitem a manutenção de um estatuto, isto na sociedade dita "real" exterior aos blogs. Mas não fazem falta. Porquê? Porque não têm conteúdo intrínseco, são máscaras institucionais, máscaras de uma figuração de poder. Por um lado não têm a qualidade da liberdade, nem a capacidade de encaixe para se manterem num meio igualitário como os blogs, todos podemos ser criticados, mas todos podemos criticar, comentar. Todos podemos falar do que nos apetece, sem censuras, sem tabus. Quem não se sente bem não é obrigado a ficar, a sua saída é saudável para o próprio e para quem os lê, quase por obrigação.

Aqui só sobrevive em duas situações:

a) Quem se está nas tintas para o público e olha para isto de forma desinibida, tendo ou não muita qualidade, não se importando se não se é lido, mas que interessa isso? Escrevemos o nosso diário, para nós, é um registo nosso para no futuro nos rirmos de nós próprios. É o caso do autor deste Blog, por exemplo.
b) Quem tem mesmo muita qualidade, seja a fazer humor, seja em literatura, seja em política. Claro que se tem de ter muito estofo para aguentar com a crítica básica e a inveja, porque em Portugal a qualidade é invejada e desdenhada.

Geram-se 4 situações a partir das situações acima:
1 Qualidade e distensão.
2 Qualidade e crispação.
3 Falta de qualidade e distensão.
4 Falta de qualidade e crispação.

Já vi blogs em todas estas categorias. Aliás muito genéricas, porque a realidade é muito mais difusa. Caótica diria mesmo. Também dependem do tempo. Não dou exemplos, porque não conseguirei incomodar os libertos e desinibidos e porque incomodarei em demasia os crispados que, por azar, caiam aqui.

O meu problema é que julgava que A Coluna Infame pertencia à primeira categoria, de facto não. Assumiram uma crispação dispicienda, desnecessária, e fecharam a porta.

Com respeito ao tipo com nome de taxista da D. Quixote, o Nelson (será este o nome?) não faz falta nenhuma e é um exemplo de uma das categorias acima: a do blog do tipo que se julga mediático, e que tem um blog porque está na moda e andam uns gajos enganados a citar o tipo e a discutir com uma sombra de um fantasma, ainda por cima é crispado... A sua saída contribui para a limpeza da internet e um tráfego mais fácil.

Penso eu: O Abrupto é que está para ficar. Este último tem arcaboiço para aguentar a crítica, sabendo distinguir aquela que é primitiva da que é fundamentada. Tem capacidade de pensar, concorde-se ou discorde-se, com prontuário ou sem prontuário. Este faz falta.

O Mexia também mexe, bem como o Coutinho (escrevo no presente). Espero que continuem e não entrem de novo em crispação, com outros Blogs, mas sempre a agitar e a escrever. Bem, ..., como sabem fazer.

O Crítico


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