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27.5.03

A urgência de escrever um soneto. O fim de tarde, hora de Rilke, concerto bwv 1052 de Bach, uma pilha de CD's em cima da secretária para ouvir, e calma, a calma de um fim de tarde, do fim da Primavera, longo, demasiado longo. Para quando a nocturna escuridão que no abraça no seu embalo protector?
Não, não quero ouvir estes discos, música de cerca de 1240. Umas transcrições para cravo de Bach, os três discos do Cristophe Coin com cantatas de Bach, todos para relembrar, que tenho de falar sobre o assunto, e as partituras, lá me esqueci das partituras, mas o vício, sou acordado por dois vícios, o vício de não cumprir obrigações e o vício do jogo, do jogo da escrita, do soneto, lá volto eu ao soneto... O Bach também escrevia sonetos, claro que sim, muito mais belos do que qualquer um que eu possa escrever algum dia. Enfim dez sílabas, também os há com treze, em catorze versos. Música, ritmo, nada de rimas fáceis, uma teoria, um amor inteiro em catorze versos de dez sílabas, será que o génio vence catorze versos de dez sílabas, acentuadas em pontos chave, e com rimas internas para dificultar ainda mais a coisa. O Bach conseguia, com números dentro das suas obras, cada vez mais difícil, mais belo, mais intrincado, cada vez mais belo, vícios, este do jogo dos sonetos, e o Shakespeare, e o Camões e o Petrarca, e o Manuel Maria, e o Antero. Não me devia ter lembrado destes demiurgos que me espreitam por cima do ombro cada vez que começo um soneto, vou ouvir estes CD's que a minha vida não são só vícios, a noite está a cair, está pelo menos mais escuro agora...
Vem doce noite, embala este Bach que tenho para ouvir, mais a música de 1240. (ou será 1260?)

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