<$BlogRSDUrl$>

19.5.03

Ópera em S. Carlos, Ariadne auf Naxos.

O Crítico dos críticos esteve no S. Carlos. Sábado 20h horas. As estreias do S. Carlos, ah as estreias do S. Carlos! A rapaziada toda do costume. A Cristina Fernades do Público, e mais quem? O corpo diplomático em peso, uns chefes de gabinete, uns gajos com massa e os habitués, espécie de troglodita, não propriamente musical, que continua a poluir as estreias do S. Carlos, tipo Grupos de Amigos do S. Carlos, e que também insiste em dar cabo da Antena 2.

O que notámos de especial?

Claro, a ausência do cheiro a naftalina, tão próprio dos anos 80! E tosses? Curiosamente as tosses e catarros não foram muito ferozes. como se sabe a tosse do S. Carlos podia arrumar com a carreira de qualquer tenor mais fracote dos nervos. Mas o público da estreia anda algo foleiro, uns tipos em calças de ganga, com o cabelo irsuto e os dentes estragados. E palmas? Sim claro as palmas a despropósito após um trecho mais inflamado da Zerbinetta, que neste caso devia ir de lambreta, tão má era a sua voz, uma sopraninho ligeira de voz feia e a lembrar uma cana rachada.

Ah, esquecía-me, o Seabra, precisamente de calça de ganga e cabelo irsuto! Batendo palmas da forma esgrouviada que lhe sabemos, assim tipo estertor de asmático epiléptico. O homem não parava quieto na cadeira. Eu não me mexi na minha, uma vez que como o Seabra é o "homem critica tudo o que mexe", poderia ser imediatamente alvo de uma severa admoestação no Público.

Enfim a encenação foi muito jeitosa, melhor no prólogo, demasiado hierática na ópera, propriamente dita. Os cantores eram algo mauzotes, excepção feita à Michele, no papel de compositor na primeira parte. Ao contrário da Cristina Fernandes do Público, achei a Wachutka perfeitamente fabulosa em termos musicais e vocais, mas (aí até concordo) muito pobre como actriz.

A orquestra como quase sempre: muito má! Não há outra palavra, perdõem-me os mais sensíveis. Falta de ensaios, falta de músicos, cordas muito más, desafinação constante nos primeiros violinos, um saco de gatos, desastroso, não percebo como o Peskó, o maestro, não conseguiu pescar muito daquela massa de trinta e seis músicos que deveriam ser o que de melhor tem a Orquestra Sinfónica Portuguesa.

E agora tenho de ir criticar um filme, porra não! Que já estou a ficar como o "homem critica tudo o que mexe", afinal vou comer um sushi, para os lados da Bica do Sapato, caro mas ao menos é higiénico.

Crítico de Música

Arquivos

This page is powered by Blogger. Isn't yours?