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26.5.03

Os sonetos de Antero de que gosto mais:
Primeiro o Lindíssimo Nocturno, onde o poeta perpassa no poema, sussurros, como passam as águas e as brisas nocturnas, os espíritos e os ideiais. Espírito que flutua por sobre o poema, cavando as palavras imagens de sombra, desilusão e cumplicidade.
Espírito nocturno cujo fogo consumiu em delírio e angústia o poeta filósofo queimando-o até para além da morte e do suicídio, sem nunca matar a sede de ideal, que Antero nos soube dar, a sede e o ideal:

Nocturno

Espírito que passas, quando vento
Adormece no mar e surge a Lua,
Filho esquivo da noite que flutua,
Tu só entendes bem o meu tormento...

Como um canto longínquo - triste e lento -
Que voga e subtilmente se insinua,
Sobre o meu coração, que tumultua,
Tu vertes pouco a pouco o esquecimento...

A ti confio o sonho em que me leva
Um instinto de luz, rompendo a treva,
Buscando, entre visões, o eterno Bem.

E tu entendes o meu mal sem nome,
A febre de Ideal, que me consome,
Tu só, Génio da Noite, e mais ninguém!

Antero

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